http://meiafina.pop.com.br/
02/07/2010 - 12h00
plástica | Izabella Bellenda

Peitos, pra que te quero - parte 2

Depois de analisarmos os motivos que levam as mulheres a buscar uma prótese de silicone, quais são os próximos passos? O primeiro é fundamental: procurar e achar um bom médico, o que nem sempre é fácil.

Achar um profissional que tenha gabarito para mudar seu corpo é um processo delicado e envolve os mais diversos fatores. Afinal, é uma parte íntima do corpo feminino que está em jogo, e sentir-se à vontade é importante. Carla do Nascimento que o diga. Administradora de empresas, 37 anos, colocou a prótese há 6 anos, mas teve problemas. “O maior de todos foi a escolha do médico errado. Não fiz uma pesquisa extensa, fiz com o primeiro profissional que visitei, altamente recomendado. Mas como pude notar depois, indicação não é tudo. Além disso, tive problemas na cicatrização, mas por uma tendência minha de formação de quelóides. Mesmo assim, estou mais feliz com o silicone do que sem. Só vou trocar quando for necessário”. 
 
Já Paula Branco, relações públicas, 25 anos, foi a 5 médicos e confirma que indicação não é garantia de um bom resultado. “Um deles era top do momento e os outros todos indicações. Indicação é uma coisa muito subjetiva, pois em 3 indicados não tive a menor empatia. Achei os médicos superficiais, sem muita vontade de “ensinar” o processo cirúrgico pra mim. Este último me deixou extremamente segura em relação a todos os procedimentos”. 

E segurança nesse momento é tudo. Para isso, conhecer o processo e ter noção do que vai acontecer na mesa e no pós operatóiro é essencial. A mamoplastia é um procedimento que desloca o tecido mamário do músculo peitoral, criando um espaço onde a prótese é colocada. Mas existem duas diferenças: colocar embaixo ou em cima do músculo. Na primeira opção a dor é menor, mas o resultado pode ser menos natural. A segunda opção, mai dolorosa, costuma apresentar melhores resultados. Quem decide isso é o médico, de acordo com a sua estrutura e a forma de trabalho dele. Essa cirurgia tem em média 2 horas de duração, com alta no mesmo dia. 

O pós-operatório é o período mais delicado. São sete dias para recuperação e retorno às atividades normais, sempre evitando movimentos bruscos dos braços devido aos pontos. Após, a utilização de um sutiã especial por 30 dias é obrigatória para a formação e adaptação do corpo ao silicone, pois se trata de um corpo estranho, um peso ao qual ele não estava acostumado e ainda, a pele esticada. 
Por falar em pontos, vamos às cicatrizes. Geralmente elas ficam ou ao redor da aréola, ou nas axilas; mas a mais comum é embaixo das mamas, chamada de infra-mamária. Isso vai variar do método de incisão do silicone escolhido pelo médico. Lembra da Renata Zapellini, do post anterior? Pois então, ela tem uma história pra contar. “Eu tenho uma cicatriz absurdamente feia, horrorosa e é uma das únicas coisas que me incomoda. Mas a culpa foi minha. O recomendado é que você use o sutiã especial por um mês e eu tinha uma festa para ir e não queria ter que usá-lo. Tem que cuidar direitinho, minhas amigas que também tem a prótese não tem marca nenhuma”. 
 
Inchaço e dor nesse período são completamente normais. Mas se o sangramento ultrapassa os sete dias de recuperação é necessário voltar ao médico e talvez uma nova cirurgia para retirar o acúmulo de sangue seja necessária. Uma queixa bastante comum nesse período de adaptação é a hipersensibilidade dos seios, ou o contrário, a perda dela, como se ele estivesse anestesiado. Isso é normal e dura algum tempo. Mas existem casos, dependendo da paciente, em que infelizmente se torna permanente.
 
Além disso, existem outros fatores para serem levados em consideração. A prótese, dependendo do caso, pode dificultar a detecção do câncer de mama através da mamografia. Por isso, manter em dia os exames ginecológicos de rotina é imprescindível. 
 
Na próxima semana o Meia Fina complementa esse artigo falando sobre o período de adaptação pós-silicone.