Uma lembrança inesquecível da minha infância é a do cheiro de pão crescendo. O levedo fermentando e liberando aquele aroma de álcool peculiar... e antes que você pergunte se é isso que faz o pão ser um vício, lhe informo: não é. Ele evapora quando a massa é assada, mas deixa o sabor característico, que encanta.
Fazer pão em casa é um experimento que recomendo. Por mais que você nem seja muito chegada à cozinha, tente. Só o ato de provar o pão feito por você mesmo já dá uma grande satisfação e orgulho. Requer pouco mais que um par de mãos, tempo e um forno.
Se a preguiça é grande ou o tempo é mínimo, não desanime, as panificadoras domésticas fazem a maior parte do trabalho por você. Apesar de removerem parte do charme e toda a terapia do ato de fazer o pão nosso de cada dia, o produto final agrada. Por menos de R$300,00 é possível adquirir uma, programá-la na noite anterior e ter um pão fresquinho pela manhã. E ainda ter aquela cena de propaganda no seu lar: de margarina derretendo em uma fatia fumegante de pão - particularmente, recomendo manteiga.
Comece com receitas que dão pouca margem para erros, ou seja, o básico. Como dicas: compre fermento na padaria, é fresco e vendido no peso que for necessário. Deixe sua cozinha quente, nada de janelas abertas e correntes de vento, a fermentação pede calor. Quando estiver pronto, deve estar dourado e ao bater no pão por baixo, emitir um som ligeiramente oco. Para manter a casca crocante, deixe o pão esfriar sobre um tabuleiro de arame. Na verdade é impossível de se achar tal tabuleiro por aqui, então ponha em prática o velho “jeitinho brasileiro” e use uma grelha ou remova uma prateleira do fogão ou da geladeira.
Quanto à receita, está crescendo e fica pronta amanhã.
por Fernanda Sarmento
Engenheira civil, chef de cuisine e restauranteur. Foodie assumida, viaja o mundo atrás de novos sabores, ingredientes e aromas. Da China à Dinamarca, reserva sempre um espaço na bagagem para ingredientes exóticos e peculiares. Quase 100% TOC, é conhecida entre os íntimos pelos seus dotes culturais. No Meiafina, faz seu debut como colunista gastronômica.

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