Criado com o simples propósito de preservar o leite, o queijo deixou de ser um mero alimento nutritivo para se tornar uma expressão de texturas, aromas e sabores. Produto do acaso e de muita experimentação, a multiplicidade estabeleceu um universo a ser explorado por qualquer um que se considere um foodie.
Aqui no Brasil, vem ganhando espaço tanto nas cooperativas de laticínios como nas prateleiras de supermercado. Frescos, moles, de bolor branco, bolor azul, em azeite, defumados, duros ou macios, de leite de vaca, ovelha, cabra ou búfala, de aromas suaves aos pungentes — aqueles que te fazem perguntar: “será que tá estragado?”.
Acredite, todos devem ser provados, se ao menos, uma vez. Abandone os monótonos: Minas, Prato, Mussarela e experimente novos sabores, primeiro puros e depois combine.
Eu sugiro: uma Mozzarela de búfala com um bom azeite extra virgem, sal e folhas de manjericão, Brie com rúcula e redução de aceto balsâmico ou Camembert com geléia de framboesas, combinar Gorgonzola (ou qualquer queijo de bolor azul) com manga, maçã ou pêra, simplesmente dar mais caráter àquele hamburger feito em casa com um Cheddar (não o processado!). Já é possível encontrar todos estes queijos, de fabricação nacional, o que facilita no bolso.
Aproveite o inverno e faça um fondue, nada daquele pacotinho pronto de queijos de origem duvidosa, mas uma boa mistura de Gruyère e Emmental; além de que nada mais aconchegante que uma raclete e um bom vinho.
E quando se sentir pronto para ousar, prove o Stilton inglês com cranberries, o dinamarquês Samsöe, o Pecorino verdadeiro, feito com leite de ovelha ou o fedido italiano Prima Donna. Vasculhe as prateleiras do supermercado, visite uma loja de alimentos de importados e aventure-se. O investimento vale à pena paro o palato, só não abuse, para não causar um prejuízo na balança.
por Fernanda Sarmento
Engenheira civil, chef de cuisine e restauranteur. Foodie assumida, viaja o mundo atrás de novos sabores, ingredientes e aromas. Da China à Dinamarca, reserva sempre um espaço na bagagem para ingredientes exóticos e peculiares. Quase 100% TOC, é conhecida entre os íntimos pelos seus dotes culturais. No Meiafina, faz seu debut como colunista gastronômica.

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