Não há como negar. Muitas das crianças hoje preferem o computador e o vídeo game do que as brincadeiras ao ar livre. Os hábitos alimentares também mudaram com a invasão do fast-food. Mas tudo isso tem um preço: a obesidade infantil.
Segundo os dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), no Brasil, cerca de 15% das crianças são obesas. “Os pais devem estar mais atentos ao ganho excessivo de peso dos filhos na infância. É nessa fase que ocorre o aumento do número de células de gordura, que dirá como será o indivíduo na vida adulta”, orienta a médica nutróloga, Beatriz Manzochi, que trata a obesidade infantil.
A especialista, explica que os períodos críticos para o surgimento da obesidade progressiva são os 12 primeiros meses de vida, a fase pré-escolar e a puberdade. “A obesidade progressiva está associada à hiperplasia das células de gordura (aumento do número dessas células) nessas fases. Na idade adulta, a obesidade ocorre pelo aumento do tamanho das células de gordura”, esclarece a nutróloga.
A obesidade não afeta somente a saúde física mas também pode levar a dificuldades no desenvolvimento emocional. Na escola por exemplo, as crianças gordinhas podem sofrer certo grau de preconceito e geralmente recebem apelidos maldosos dos colegas. Na tentativa de se integrarem ao grupo podem se tornar retraídas ou tentar chamar a atenção transformando-se no “gordinho legal’”, lamenta a nutróloga. Na adolescência, as preocupações com a imagem são mais exacerbadas e a obesidade pode agravar ainda mais a insegurança e auto estima.
Como tratar e prevenir
Os cuidados com a obesidade começam cedo, no início da amamentação. “O aleitamento materno tem papel fundamental para evitar a obesidade na criança e pode ser substituído por fórmulas lácteas adequadas para a idade quando houver necessidade”, afirma a Dra. Beatriz.
No primeiro ano de vida são indicados alimentos complementares (são incluídos na alimentação do bebê logo após o período exclusivo do leite materno, como frutas e legumes, seguidos de caldos de carne e frango) e “Os pais devem escolher corretamente os alimentos e evitar a utilização de mingaus e farinhas no primeiro ano de vida do bebê e sempre que a criança estiver acima do seu peso ideal”, detalha a médica.
Uma rotina alimentar saudável da família, limitando fast-foods, lanches e guloseimas também ajudam a evitar a obesidade. “Os pais não devem usar a comida como recompensa, prêmio ou barganha e devem promover atividades para impedir o sedentarismo das crianças”, salienta Dra. Beatriz.
A conscientização dos pais é fundamental. Segundo a médica, quanto mais tarde o início de tratamento, maiores as chances de a criança ser obesa na vida adulta. Isso poderá significar problemas de hipertensão, colesterol alto, diabetes não insulino-dependente (antes exclusiva de adultos), doenças osteoarticulares por sobrecarga em articulações em desenvolvimento, doenças de pele e respiratórias. “O principal objetivo do tratamento é aprender a comer hoje para poder comer adequadamente na vida adulta e ter uma boa saúde”, ressalta.
O tratamento é indicado para crianças até 12 anos. “É essencial o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e que a criança passe por uma reeducação e não uma dieta com restrições alimentares rigorosas, pois é ineficiente. A reeducação alimentar familiar é o que traz resultados efetivos na regularização do peso da criança”, ensina.
Os pais podem ajudar com atitudes positivas. “Ao invés de dizer: ‘não coma isto’, eles devem dizer: ‘vamos comer uma salada de frutas’. Os pais não devem afirmar que o filho está gordo e sim incentivá-lo a cuidar do seu corpo para ter saúde”, explica.
Como diagnosticar
A família pode perceber se a criança está ganhando peso e se tornando obesa. “O primeiro sinal é a perda muito rápida das roupas e também um interesse incomum por comer”, alerta a médica.
Para o diagnóstico correto, a especialista recomenda que os pais procurem o pediatra em um primeiro momento. Em seguida, o endocrinologista pode fazer uma avaliação e verificar se há algum problema glandular. Descartada essa suspeita, o tratamento segue para profissionais da área de nutrição, médico nutrólogo e nutricionista, que serão responsáveis por elaborar uma correta rotina alimentar e mudanças necessárias para a perda de peso. “A criança continuará crescendo e novos hábitos serão importantes para que ela receba os nutrientes essenciais para um crescimento saudável”, salienta.
Ela complementa que pode ser necessário o acompanhamento de um psicólogo especialista em crianças para identificar se há alguma causa emocional que está levando essa criança a comer de forma incorreta.

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