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30/07/2008 - 06h00
saúde | Redação Meia Fina

Cuidado com as Infecções pneumocócicas

Segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, as doenças pneumocócicas – que incluem pneumonia, bacteremia, sepse, otite, sinusite e meningite – são a primeira causa de morte infantil no mundo. “O Streptococcus Pneumoniae, bactéria causadora dessas patologias, incide especialmente nos primeiros anos de vida, fase em que tem maior morbidade e mortalidade”, destaca Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Existem cerca de 90 sorotipos de pneumococos, dos quais alguns têm maior prevalência que outros. Crianças menores de cinco anos estão mais expostas às doenças pneumocócicas. Os coeficientes de mortalidade demonstram que quanto menor for a criança, maior é o risco de uma doença letal.  

Para combater tais doenças, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças a partir de dois meses tomem a primeira dose da vacina pneumocócica conjugada 7-valente. “Apesar da orientação, o Programa Nacional de Imunização (PNI) ainda não incluiu a vacina no calendário oficial, pois sempre leva em conta as relações de custo e efetividade”, explica o médico-infectologista Jaime Rocha.  
    
A Organização Mundial de Saúde (OMS) luta para que todos os países recebam a imunização gratuitamente, assim como já ocorre nos Estados Unidos e outros países. No Brasil, há uma alternativa pouco divulgada para acesso à vacina sem ônus. “O Ministério da Saúde dispõe de Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), espalhados por todo o País, nos quais portadores de doenças de base podem obter vacinas que não estão inclusas no calendário, como a pneumocócica 7-valente”, esclarece Jaime Rocha.

Têm direito às doses gratuitamente crianças com necessidades especiais, bebês prematuros – nascidos com até 35 semanas de gestação –, crianças com Síndrome de Down, com problemas cardiológicos ou renais, asma grave, diabetes, anemia falciforme, HIV etc. “Muitas pessoas desconhecem a vacina e mesmo aqueles que conhecem deixam de procurá-la por não saber da gratuidade. Se as pessoas se conscientizassem, o número de casos de infecções pneumocócicas cairia consideravelmente”, finaliza o especialista.
    
 
*Jaime Rocha é médico-infectologista, responsável pelo serviço de vacinação do Frischmann Aisengart/ DASA, maior empresa de serviços diagnósticos da América Latina