Todo mundo sabe a importância da relação mãe-bebê para o desenvolvimento físico e emocional da criança e isso vale também para as interações estabelecidas ainda no ventre materno.
Patrizia Borgonovo, psicóloga infantil da Clínica Contato, em Curitiba explica que atualmente “grande parte dos estudiosos concorda em dizer que o bebê, mesmo antes de nascer, é um ser inteligente, sensível, que apresenta traços de personalidade próprios bem definidos”.
Durante a gestação, o feto está em perfeita comunicação com a mãe, captando o seu estado emocional e a sua afeição por ele. Quando há sentimentos amorosos e serenidade, o seu cérebro, ainda em formação, produz hormônios como endorfina e ocitocina, responsáveis pela sensação de bem-estar.
Por outro lado, se a criança sofre maus-tratos repetidas vezes ou é tratada com frieza e indiferença, a formação do seu cérebro pode sofrer danos. “Sabe-se hoje que o período que vai da concepção ao primeiro ano de vida é o que apresenta desenvolvimento mais acelerado. O sistema nervoso do bebê, com neurônios em abundância, é extremamente plástico e encontra-se com potencial máximo para formar-se, de acordo com estímulos recebidos”, explica a psicóloga. Por isso, o período é um dos mais críticos e vulneráveis para seu desenvolvimeto, quando a base para o crescimento intelectual, emocional e moral é definida.
Afeto nunca é demais
Por isso, o afeto é necessário e deve sempre estar presente nas relações. “Nos primeiros meses, a criança precisa sentir que existem pessoas que podem satisfazer suas necessidades, sem deixá-la exposta à dor e ao desconforto desnecessariamente. Este é o alicerce básico da confiança”, esclarece Patrizia.
No início do segundo ano, entretanto, é preciso que sejam estabelecidos os primeiros limites com firmeza e serenidade, já que a criança não consegue um controle próprio de seus impulsos. “Quando suas ações são limitadas, as crianças tendem a ficarem furiosas. Neste momento, é importante que ela sinta que, mesmo assim, as pessoas que ela ama continuarão ao seu lado. É essencial que ela não se sinta ameaçada com a perda de amor de pessoas fundamentais”, frisa.
Aos três anos, a criança começa a ser capaz de entender códigos de conduta e relacionar-se com outros com respeito e consideração, entrando em acordos e criando soluções para impasses. “Porém, essa empatia só pode ser desenvolvida se essa criança receber isso de outras pessoas”, observa a psicóloga. Pais e profissionais envolvidos com as crianças são as pessoas mais habilitadas em acrescentar algo positivo em cada estágio do desenvolvimento, aumentando as chances de um crescimento emocional e intelectual sadio.
Ao preocupar-se com a formação da criança desde a gestação e nos primeiros anos de vida, é possível criar um vínculo seguro, oferecendo sensibilidade, aconchego e uma base de apoio para momentos difíceis. “Criar esse vínculo é a condição básica para formar crianças tranqüilas, solidárias, capazes de desenvolver competência social e postura positiva para o futuro”, completa a psicóloga.