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18/06/2008 - 15h07
educação | Paula Dely

Que tipo de mãe você é?

A brutalidade do caso Isabella Nardoni mostrou que a violência pode estar mais perto do que pensamos. No cotidiano das famílias e até mesmo nas nossas próprias casas.

Formas mais sutis de violência como o uso abusivo da palmada, a negligência ou o autoritarismo excessivo continuam a ser modelos de educação adotados por muitos de nós, mas que podem trazer graves conseqüências.

Há mais de dez anos pesquisadores vêm estudando a influência das práticas educativas na socialização e na agressividade de crianças e chegaram a classificar os estilos parentais (conjunto de atitudes de apoio, interação, disciplina, afeto e punições utilizadas pelos pais) em quatro tipos: o autoritário, o negligente, o permissivo e o participativo. Cada um deles com conseqüências positivas e negativas para a personalidade da criança.

- Pais negligentes: são os pais ausentes, intolerantes, inconstantes. Podem ser ao mesmo tempo distantes e punitivos. Filhos destes pais têm mais riscos de desenvolver atraso no desenvolvimento cognitivo e emocional, baixa auto-estima, comportamentos anti-sociais assim como dificuldade nas habilidades sociais  

- Pais autoritários: geralmente mais impositivos e hostis às necessidades dos filhos. Baseiam a educação nas regras e na coerção e fornecem pouca atenção e afeto. Os filhos costumam ter dificuldades de socialização e podem apresentar maior agressividade, baixa auto-estima, ansiedade e depressão.

- Pais permissivos: extremamente afetivos, mas incapazes de impor os limites essenciais para o desenvolvimento da personalidade da criança. Estas apresentam maiores dificuldades em lidar com frustrações.

- Pais participativos: fornecem suporte afetivo mas também os limites e regras necessárias para o amadurecimento saudável. Atitudes de apoio, respeito, encorajamento e regras claras que ajudam a orientar e organizar a personalidade da criança são a base da educação. Filhos destes pais costumam demonstrar maior habilidade social, auto-estima e resiliência, características essenciais para o desenvolvimento saudável.

Não existe regra para educar, mas bom senso e equilíbrio emocional são essenciais.

Pesquisas deste tipo não tem a intenção de estabelecer regras de como os pais devem ou não educar os filhos. Mas servem para atentar sobre a complexidade do processo educativo, suas nuances e particularidades. 

Educar um filho é uma tarefa complexa. É preciso se doar, negociar consigo mesmo, fazer concessões, refletir sobre a própria postura, valores e expectativas. Demanda equilíbrio emocional e a compreensão de que o filho não é um prolongamento de si mesmo e sim um ser humano que está aprendendo, que precisa de alguém para lhe mostrar o caminho, dar colo e segurança.

É um trabalho difícil onde podemos nos perder, exagerar, desistir. Crianças desafiam a autoridade, testam os limites da tolerância e da paciência. É parte do aprendizado. E também tocam nossos sentimentos mais hostis e agressivos pois somos pais mas também seres humanos.    

Sem dúvida alguma é muito mais fácil fazer uso da força do que investir no diálogo e na dedicação. Prestar atenção ao outro exige tempo e disponibilidade afetiva, elementos que hoje parecem faltar em meio a correria e pressão do dia-a-dia.

Mas é preciso lembrar que ser pai é assumir a responsabilidade por este pequeno ser humano que colocou no mundo. E que esta responsabilidade não se limita apenas ao seio da família, mas se estende a toda uma sociedade pois é para esta que no futuro a criança vai direcionar tudo o que aprendeu com seus pais.