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10/04/2009 - 06h32
comportamento | Redação Meia Fina

Meu filho vai se chamar...

Recentemente um casal de italianos foi barrado pela Suprema Corte do país, por tentar registrar seu filho com o nome de Venerdi, que significa sexta-feira em italiano. Não se assuste, lá é assim mesmo: existem até leis que impedem o registro de nomes que possam soar ridículos ou constrangedores para as pessoas. Em outros países da Europa, até grafias muito diferenciadas são proibidas. 

Situação bem diferente acontece aqui no Brasil, onde não há regras nem qualquer limitação na hora de registrar uma criança. Como resultado disso não é raro vermos por aí algumas Kendryahs, Kemillyns, Hemannuelyns, ou então alguns Marconyedsons, Medhilins ou Lukkas.

Achou complicado de ler? Pois saiba que estes foram alguns dos nomes observados ultimamente pelo Diretor do Instituto de Registro Civil de Pessoas Naturais do Paraná (Irpen), Milton Sene Baptista. 

O diretor explica que apenas em casos extremos, quando fica claro que o nome irá causar grande constrangimento no futuro, os registradores civis podem tentar intervir junto aos pais. No entanto, na maioria dos casos nada pode ser feito. “Muitas pessoas nos procuram com nomes de grafias diferentes das comuns, mas só podemos nos manifestar em casos muito raros, o que acaba facilitando nomes completamente diferentes no que diz respeito à escrita, como Hagathá”, exemplifica.

Baptista também ressalta que novelas, seriados e até filmes são inspirações comuns para a escolha dos pais. “Heros, por causa da novela Três Irmãs, Cauã, em homenagem ao ator Cauã Reymond e até os nomes indianos são os mais registrados ultimamente”, destaca.

E quando a moda passar? Farão esses nomes algum sentido para quem os carrega? Adultos infelizes podem tentar alterar sua identidade posteriormente, mas não encontrarão tarefa fácil pela frente. A lei brasileira só permite a troca em casos específicos, além de geralmente ser um processo jurídico demorado e cheio de burocracias.

Na opinião do Professor de Português Antonio Douglas Villatore, os pais deveriam sempre pensar nos problemas que os filhos poderão ter no futuro. “Piadinhas, preenchimento errado de dados, entre outros constrangimentos podem vir a atrapalhar a vida social de uma pessoa apenas por causa do nome. Se temos discernimento na hora de comprar algo, por que não fazer o mesmo quando vamos registrar nossos filhos?”, questiona.

E você? O que pensa sobre o assunto?