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Alterações no banheiro

por Fernanda Peruzzo
A quase impossibilidade de estarmos satisfeitas com o próprio banheiro entra naquela categoria de mistérios da alma feminina que inclui os três quilos que sempre precisamos perder e o nunca ter o que vestir.

Qualquer quer seja a necessidade ou o impulso, inevitavelmente a reforma do banheiro será infernal, correndo o risco de se tornar traumática caso não sejam observadas algumas normas básicas e uns detalhes bem importantes. Como esses, listados a seguir:

Ataque ao inimigo número 1

O mofo é um desastre anunciado. “A legislação não exige que um compartimento como o banheiro tenha aberturas”, afirma a arquiteta Eliane Canhoto. Nossas construtoras, claro, levam isso em conta e dificilmente preveem banheiros com amplas janelas ou boa ventilação. É por isso que o mofo quase sempre aparece.
 
Para combatê-lo, só mesmo investindo o dinheiro que elas economizaram e comprando tintas especiais esmaltadas, móveis com revestimento igualmente esmaltados, rejuntes a base de produtos antimofo e madeiras muito bem impermeabilizadas. “Porque as áreas porosas são propícias ao aparecimento do bolor”, explica a arquiteta. Quem luta contra o mofo no teto ainda tem como recurso a colocação de forros em PVC. Apesar de não serem nada bonitos, eles são fáceis de limpar e dificilmente vão mofar.
 
Em áreas muito úmidas e com ventilação insuficiente é recomendável instalar ventokits, pequenos exaustores especiais para banheiros, que promovem a renovação do ar e podem funcionar por sensor de presença, conectado ao interruptor de luz ou por acionamento manual.

Acabamento perfeito

O rejunte é aquele toque final, a cerejinha do sorvete, que garante uma superfície lisa e linda. Mas, se o profissional não for dos mais qualificados, essa simples massinha pode colocar todo o trabalho a perder, deixando a parede irregular e com manchas que mais parecem sujeira. Para evitar esse pesadelo só mesmo ficando de olho na ficha do profissional contratado e escolhendo o rejunte mais adequado ao revestimento. No caso das pastilhas, a própria argamassa de assentamento servirá; as cerâmicas utilizam rejunte normal; e para os porcelanatos é indicado o rejunte a base de resinas poliméricas. “Como a área de banheiro estará sempre sujeita a contatos diretos com a água, o rejunte deve ser impermeável e antifúngico”, avisa a arquiteta Eliane Canhoto.

Se a ideia for refazer um trabalho mal feito, a arquiteta indica aplicar uma nova camada de rejunte sobre o antigo. “A opção de troca do só deve ser considerada se a mão de obra for qualificada. Nesse caso, o profissional deve molhar o rejunte com  ácido muriático e remover a camada antiga com uma espátula. Em seguida aplica-se o novo rejunte”.

Área seca

Banheiros com problema crônico de umidade e falta de ventilação podem se manter sempre sequinhos se todas as superfícies forem impermeabilizadas. A emulsão asfáltica é um dos produtos impermeabilizantes mais fáceis de usar e tem baixo custo.
 
Composta por minerais e polímeros especiais diluídos em água, esses produtos produzem uma membrana de alta impermeabilidade, sem técnicas ou ferramentas especiais. A superfície só precisa estar limpa, sem poeira, óleo ou partículas soltas. Também é importante respeitar o tempo de secagem entre uma demão e outra.

Banheira, sim!

Teoricamente, qualquer banheiro está apto a receber uma banheira. Ele só precisa ter estrutura capaz de suportar o peso extra e as tubulações de água e esgoto prontas para serem acopladas a nova peça. O tamanho e modelo da banheira devem ser escolhidos de acordo com o espaço disponível. Além dos tamanhos-padrões 140 cm x 80 cm e 160 cm x 80 cm, muitas empresas vendem modelos em tamanhos personalizados. “Em ambientes pequenos, a banheira pode ser substituída pelo ofurô”, indica a arquiteta Eliana Canhoto. A ideia número um de acomodar a banheira na área do box deve ser evitada, principalmente se entre os moradores houver idosos ou crianças. “Essa instalação têm problemas ergonômicos”, avisa.

Alturas e distâncias normatizadas

Quem se arisca em reformas-solo, sem o apoio de um arquiteto ou designer de interiores, dificilmente saberá que existem medidas-padrão para a instalação de torneiras, chuveiros e acessórios dentro de um banheiro. Essas medidas normatizadas pela ABNT determinam que os chuveiros sejam instalados a 2 metros de altura do piso e os misturadores ou monocomandos que os acionam devem ficar a 1,10m do piso.
 
Outras medidas são determinadas pelo projeto ou necessidades dos moradores. Como a distância lateral entre o vaso sanitário, a pia e o box. Regra geral, os arquitetos recomendam que haja um espaço mínimo de 35 cm entre eles e uns 70 cm a frente deles. Para os acessórios mais comuns, as medidas sugeridas pela arquiteta Eliane Canhoto são: papeleira a 40 cm de altura do piso, ducha higiênica a 40 cm de altura e porta-toalhas a 1,50m.

Cobrir ou não cobrir...

Apesar dos lindos projetos de banheiros modernos, que dispensam azulejos e revestimentos convencionais e abusam do cimento, pedras naturais e madeira, quem reforma precisa lembrar que nem todo material pode ser usado no acabamento de um banheiro. Segundo a norma brasileira NBR 13.818/ 1997, placas cerâmicas com coeficiente de atrito maior ou igual a 0,4 são recomendadas para áreas molhadas. Antiderrapantes, esses revestimentos evitam acidentes e quedas, sobretudo dentro do box. Porcelanato natural e pastilhas também são boas opções para essa área. No restante do banheiro é possível abrir mão do revestimento convencional e usar materiais mais ousados, como as madeiras. Ipê, jatobá e sucupira, mais duras e resistentes, são perfeitas para isso. Qualquer que seja a escolha é importante impermeabilizar a área e aplicar sobre o revestimento camadas de resina ou verniz de poliuretano.

Nas paredes, pode-se dispensar a colocação de azulejos até o teto e optar pela chamada meia-altura, que nesse caso é 1,50. Acima dos azulejos recomenda-se utilizar tintas especiais antimofo e laváveis. “As mais recomendadas são as acrílicas e óleo”, diz a arquiteta Flávia Claro.


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