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15/01/2008 - 13h23
Casa | Fernanda Peruzzo

DĂȘ adeus ao velho

Muito bem, você comprou seu imóvel. Ele é perfeito. Ou quase. O banheiro bem que podia ser menos cafona, os azulejos menos decorados e a cozinha mais iluminada. Fora isso, tem as instalações elétrica e hidráulica, que não estão lá grande coisa. Há um cheiro ruim que sobe do ralo, poucas tomadas e pontos de energia. Uma parede, que separa a sala da cozinha, bem que poderia não existir...

Acredite, tudo isso é ótimo. Porque, além de comprar o imóvel, você conseguiu identificar a maioria de seus defeitos ou pequenas falhas. O passo seguinte é convidar um arquiteto para visitá-lo e pedir a ele que indique o que pode e o que deve ser feito no imóvel antes de desembrulhar a mudança. Lembrando que é sempre melhor quebrar paredes e arrancar azulejos quando não se está em casa. Nem você nem seus objetos pessoais, que com certeza sofrerão com o pó.

Mas se a mudança se faz urgente, tudo bem.  É possível realizá-la mesmo com os proprietários habitando o espaço. Nesse caso, é preciso manter a mente calma e o bom humor em alta.

Como nós do MeiaFina adoramos novidades, e acreditamos que toda mulher merece uma casa linda de morrer, decidimos ajudá-la nessa empreitada, preparando um guia básico da reforma, a partir dos conselhos da arquiteta e engenheira civil Karin Brenner - a campeã das melhorias, como ela mesma se auto-intitula.

Rede de tubos e conexões

Karin Brenner explica que nem todo imóvel pede reformulação. Principalmente se ele for novo. Já aqueles que somam mais de 15 anos provavelmente deverão passar por uma revisão elétrica e hidráulica logo de início. “Se estiver tudo bem, o morador só terá que fazer as reformas estéticas, como trocas azulejos e pisos e dar nova pintura às paredes”.

Em imóveis acima dos 30 anos, a troca das instalações elétricas e hidráulica é praticamente uma regra. Salvos os casos em que a reforma já tenha ocorrido. “Antigamente se usava canos de ferro ou cobre, que enferrujam. Hoje, usa-se o PVC”, ensina a arquiteta.

Entre quatro paredes, uma sai

Imóveis antigos costumam ter dependência de empregada. Hoje, quase ninguém pode se dar ao luxo de ter uma copeira, babá ou faxineira que durma no serviço. Em compensação, todos podem aproveitar os metros quadrados extras e incorporá-los à cozinha ou à área social da casa.

“Já transformei o quarto de empregada em copa, em escritório, em despensa e o banheirinho em lavabo”, conta Brenner. Essa transformação é uma das campeãs de pedidos. “E ela é simples. Normalmente, o que precisa ser feito é quebrar uma parede e fechar outra, colocar piso e pintar parede”. Ou seja, mãos à obra!

Faça da janela uma moldura

Esquadrias de ferro muitas vezes pedem reparos. Chame um serralheiro. Ele é o profissional que pode verificar a saúde da estrutura e realizar reparos. Se o imóvel for uma casa, é possível trocá-las por esquadrias de alumínio ou mesmo PVC, que admite vidros duplos, termoacústicos. Os proprietários de apartamentos não gozam dessa facilidade. É preciso verificar com o síndico se há permissão para a troca das aberturas.

Uma dica da arquiteta e engenheira civil Karin Brenner para ganhar um certo isolamento acústico é trocar os vidros comuns por vidros laminados. “Quando há esquadrias de alumínio essa troca pode ser feita. O vidro laminado é composto por duas camadas de vidro intercaladas por uma película protetora. Como eles têm diferentes espessuras, é possível instalar um de seis milímetros, que fica bem justinho na esquadria, vedando ainda mais a entrada de som”.

Tinta no lugar do azulejo

Quem disse que o azulejo é o rei? Na cozinha, área de serviço e mesmo no banheiro, as paredes mais distantes das áreas molhadas (pia e box) dispensam completamente o uso da cerâmica. Nelas, pode-se optar pelas tintas do tipo epóxi e automotiva, super resistentes e que podem ser lavadas mesmo com produtos de limpeza. “A mão de obra e o gasto com materiais podem até ficar mais baratos”, revela a arquiteta Karin Brenner.
Para realizar a pintura é necessário arrancar e dizer adeus aos azulejos velhos (se bem retirados eles ainda podem render algum dinheiro, vendendo-os às lojas especializadas em peças antigas, os chamados “museus” do azulejo). A parede deve ser nivelada com massa e precisa ficar bem lisinha. Depois, é pintar. E ganhar um ambientes moderno, capaz de arrancar suspiros.