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08/06/2008 - 14h46
relacionamento | Redação Meia Fina

Ciúme: até que ponto é normal?

O ciúme é um sentimento presente na maioria das relações e coloca em cheque a importância que uma pessoa tem para a outra. Ele aparece nas relações de amizade, familiares e amorosas.
 
É natural sentir ciúme, afinal o desejo do outro é importante para todos e faz parte da vida se questionar a respeito disso. As crianças, por exemplo, se perguntam a respeito do amor de seus pais, se preferem seu irmão, como queriam que fosse...

O ciúme manifesta-se por um intenso medo de perder quem se ama e de ser trocado por outra pessoa. Pode vir acompanhado de taquicardia, insônia, ansiedade, tensão, irritabilidade, alterações de humor, choro freqüente, insegurança, agitação motora.

Quando o ciúme aparece em excesso, vale a pena analisá-lo, já que pode ser indício de que questões mais sérias estão acontecendo.

A pessoa é invadida por dúvidas, tendo dificuldade para distinguir fantasia e realidade. Na tentativa de responder às dúvidas, muitas vezes, adota comportamentos “investigatórios” em relação à vida do outro, como vasculhar objetos pessoais, vigiar o companheiro, aparecer de  surpresa em lugares. No entanto, apesar destes comportamentos, suas questões não são respondidas e a insegurança permanece.

A baixa auto-estima pode ser um dos motivos que levam ao sentimento constante de ciúme. A pessoa se sente sem valor, descartável. Indivíduos com baixa auto-estima costumam apresentar ciúmes em diversas relações, pois, dificilmente, ficam seguros com relação à sua importância para o outro. Muitas vezes, o parceiro tenta deixar a pessoa tranqüila, oferecendo garantias de sua fidelidade e amor, mas ela continua a ficar insegura. Isto acontece porque a baixa auto-estima é um sentimento ligado a questões profundas da história de vida (muitas vezes relacionadas à infância), anteriores à relação atual.

Uma idealização excessiva do outro também pode contribuir para o aparecimento do ciúme. Nestes casos, o indivíduo imagina que existem pessoas perfeitas, completas, sempre mais atraentes. Ao se comparar com este outro idealizado a pessoa se sente inferior e tem a certeza de que será trocada. É o caso, por exemplo, de uma mulher que acha que as outras têm um corpo mais bonito, são mais inteligentes, mais desembaraçadas...

O ciúme também pode ser atribuído a uma projeção (nome usado pela Psicanálise), isto é, a pessoa coloca no outro, sentimentos que ela mesma sente. Assim, o sujeito pode se sentir atraído por outra pessoa e imaginar que o mesmo acontece com o parceiro.

Às vezes, o ciúme pode indicar um excesso de narcisismo, ou seja, a pessoa sempre interpreta o afastamento do outro como estando relacionado à ela, não conseguindo se dar conta de outras coisas que podem estar acontecendo na vida do companheiro. O homem, por exemplo, passa a desconfiar de sua esposa porque há um tempo ela não o procura para ter relações sexuais, mas não percebe que ela está passando por dificuldades no trabalho, que está triste, sobrecarregada com os serviços domésticos.

Embora mais raro, o ciúme excessivo pode ser sinal de um quadro psiquiátrico. Nesses casos, o ciúme apresenta-se como uma idéia delirante e pode vir acompanhado de alucinações.

Cabe lembrar que nem sempre o ciúme é uma fantasia da pessoa. Em alguns momentos, pode sinalizar uma percepção de que algo não vai bem no relacionamento amoroso.

O ciúme em demasia precisa ser tratado com análise, pois traz muito sofrimento e impede o estabelecimento de relações tranqüilas e saudáveis.

 

Laís de Lima é psicanalista, membro da equipe palavraescuta. Para maiores informações acesse o site www.palavraescuta.com.br