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05/06/2008 - 16h51
perfil | Bianca Krebs

Quarentonas poderosas

Uma passada de olhos pelas prateleiras de uma livraria e um estalo.  Foi assim que autora do livro “40, sim! E daí?” teve a idéia de escrever para as mulheres que já não são mais mocinhas e ainda não chegam a ser senhoras.  Uma revista estrangeira voltada a este público feminino chamou a atenção da autora que decidiu naquele momento tratar da dor e da delícia de se chegar a 4ª. década de vida.

Andrea Franco é jornalista, 37 anos, apaixonada por ioga, bem-estar e coisinhas ligadas à qualidade de vida. Como toda mulher, luta contra os estigmas que rondam a meia-idade. Por e-mail, a autora respondeu algumas perguntas do Portal Meia Fina.

 

Meia Fina: Por que esta faixa etária?
Andrea Franco: Porque é uma idade emblemática, que chega para a maioria das mulheres como um “divisor de águas”, marcada por muitas mudanças e que costuma vir acompanhada de alguma crise. E também uma coisa me incomodava muito:  o fato da sociedade e da mídia considerarem a mulher dessa faixa etária como velha, como alguém que “já deu o que tinha que dar” , que só pode ser bonita com 20 anos e percebi que isso abala a auto-estima das mulheres a partir dos 40 anos. Resolvi mostrar que não é bem assim e que essa fase pode ser muito enriquecedora e que a maturidade pode fazer muito bem.

MF: Qual o impacto psicológico que a virada dos "enta" provoca na mulher?
AF:É uma fase em que a mulher tem a consciência de que é urgente dar o melhor de si em todos os setores de sua vida. É a famosa sensação de que não se pode mais perder tempo. Ela sabe disso e pode absorver essa situação de tal forma que começa um enfrentamento com a angústia de realizar sonhos que vinham sendo adiados ou que foram deixados de lado. Se a percepção de última oportunidade gera desconforto e ansiedade, é hora de transformar esses sentimentos em combustíveis para a realização de muitos projetos.

MF: É uma fase de conflito interno?
AF:A “maturescência”, ou seja, a transição para a meia-idade, pode ser tão crítica quanto a adolescência, e em alguns sentidos até mais perturbadora. Em nossa sociedade, completar 40 anos é um acontecimento. As mulheres chegam a essa fase conflitante mais cedo do que os homens porque a mulher fica mais vulnerável às sensações que são desencadeadas a partir do momento em que passa a limpo a sua vida. Ela, então, vai se deparar com emoções que estavam bem guardadas. Rever suas escolhas – o que deixou de fazer, o que foi adiado – pode provocar uma urgência de última oportunidade. A percepção de que o tempo corre faz vir à tona uma inquietação que a leva a repensar o modelo de vida que a dotou até aqui.

MF - Que alterações físicas e emocionais elas precisam estar preparadas para enfrentar?
AF: O climatério (que significa “fase crítica”) é um período conturbado da vida da mulher, que começa aos 40 anos e se estende até a pós-menopausa, quando não há mais ciclo menstrual. As transformações físicas e emocionais são decorrentes do desequilíbrio na produção dos hormônios femininos pelos ovários. Os sintomas que marcam a entrada no climatério são semelhantes aos de uma TPM, só que acentuados e prolongados. As alterações físicas são: ondas de calor, sudorese, palpitações, sensação de inchaço no corpo e nas mamas, fadiga, dores fortes de dor de cabeça ou enxaquecas. Além destas há as alterações emocionais, como irritabilidade, alterações de humor, angústia, ansiedade, crises de choro, insônia, estresse, desânimo, depressão e pânico.

MF- Qual a diferença da mulher de hoje para a que fazia 40 há 20 anos?
AF: A mulher de 40 dos dias de hoje está longe de ser uma “senhora”, no sentido de matrona. Ela é mais participativa, ativa, empreendedora, moderna, gosta de se cuidar, persegue os seus sonhos e objetivos. Na verdade, eu percebo que há 20 anos a mulher de 40  já era assim, meio transgressora. Acho que as coisas eram mais complicadas há 30 ou 40 anos. 

MF: E qual a imagem que a quarentona de hoje passa?
AF: Hoje podemos vê-las em capas de revista (e de biquíni!!), por exemplo. Mulheres tendo filhos nessa idade. Vários setores de consumo estão se rendendo às mulheres que chegaram à maturidade, as quais, além de buscarem qualidade de vida, têm alto poder aquisitivo. Elas são independentes, bem-informadas e podem pagar caro pelos seus luxos. Essa nova mulher se tornou o público-alvo das pesquisas, da mídia e dos caçadores de tendências dos segmentos de cosméticos e moda. Surge então a new age woman (algo como “mulher de nova idade” ou “mulher de uma nova era”), ou seja, a mulher que se conserva bonita, está “inteira” e não aparenta a idade que tem. A mulher mais madura está se tornando mais interessante física e economicamente. As atuais campanhas publicitárias do mundo dos cosméticos têm como garotas-propaganda “quarentonas” como Demi Moore, Linda Evangelista, Julianne Moore, Halle Berry, Sarah Jessica Parker...

MF Quais as maiores preocupações das mulheres nesta fase? Carreira, filhos, beleza, saúde?
AF: Essa é a hora em que muitas percebem que precisam ganhar e guardar dinheiro (para ter uma velhice tranqüila), ter estabilidade financeira para viver sem ansiedades, cuidar mais do corpo e da saúde. Acompanhar o crescimento dos filhos, valorizar os laços com a família, colher os frutos, saborear as conquistas. Rever objetivos, renovar projetos, tentar coisas novas profissionalmente. Viver um dia de cada vez. Valorizar tudo o que possuem e jamais criar metas irreais, que não possam cumprir. Eu também percebi nas minhas entrevistadas outras preocupações: o compromisso de ser honesta consigo mesma. O comprometimento com a vida e com as possibilidades de crescimento. Aprender com os erros e não ficar pensando nas perdas. Enxergar nos 40 anos a oportunidade de trabalhar para se transformar numa pessoa melhor, num ser humano mais realizado, numa mulher mais inteira. Ter coragem para enfrentar a vida.

 

40, sim!E daí?

224 páginas

34,90 reais

* Esta entrevista continua, fique de olho no Portal Meia Fina.