Falar de auto-estima é falar de amor próprio, da capacidade de enxergar em si mesma uma série de qualidades e potencialidades.
É ela que determina a forma como percebemos os problemas, como pensamos, sentimos e reagimos diante das situações.
Pesquisas mostram que problemas de auto-estima são cada vez mais comuns e atingem principalmente as mulheres.
A razão para isso estaria na dupla jornada. Ser mulher hoje significa ser bem-sucedida em uma infinidade de tarefas, como na maternidade, vida conjugal e profissional. Quando a pressão é grande demais acaba gerando sentimentos de fracasso e impotência.
Auto-estima se constrói na infância
Muito se sabe hoje sobre o poder da auto-estima na realização pessoal e na superação de problemas. Mas o conceito não é assim tão simples, pois está ligado a uma série de crenças construídas já nos primeiros anos de vida.
A forma como os pais demonstram afeto, estimulam a criança a superar obstáculos e reforçam as pequenas vitórias do dia-a-dia é que vai definir o grau de autoconfiança que ela terá quando adulta, explica a psicóloga Patrícia Kranikoski.
Todos estes sentimentos positivos e negativos que a criança constrói internamente são levados ao longo da vida e exercem papel fundamental nas futuras conquistas e frustrações.
Felicidade, auto-estima e realização pessoal.
Quando auto-imagem é formada principalmente por sentimentos depreciativos, a pessoa pode acabar se tornando insegura, sentindo-se incapaz e inferiorizada. Essa condição pode se refletir em todas as áreas da vida, tanto no campo pessoal como profissional.
Muitas relações insatisfatórias na esfera amorosa, por exemplo, tem sua origem em problemas de auto-estima. Segundo a psicóloga, a pessoa passa a aceitar situações inadequadas já que o desprazer torna-se a condição normal de sua vida enquanto a felicidade um valor cada vez mais distante.“Para ser feliz é preciso sentir que a felicidade é uma conquista merecida e isso só é possível se a pessoa encontrar motivos deste mértido dentro de si mesma, no valor próprio." afirma.
É claro que até mesmo pessoas extremamente autoconfiantes podem passar por períodos onde a auto-estima mostra-se abalada. Mas esta condição é geralmente momentânea, ligada a perdas e derrotas ocorridas na realidade. A diferença é que rapidamente estas pessoas transformam as dificuldades em estímulos para o próprio crescimento.
É possível mudar as próprias crenças
Mesmo este não sendo um mérito de todos é possível desenvolver a auto-estima ao longo da vida. Para isso é preciso investir principalmente no autoconhecimento
Conhecer as próprias habilidades, qualidades e defeitos desenvolve a noção do que esperar de si e dos outros. Os sentimentos de frustração, desapontamento e insegurança perdem espaço para a motivação e para a vontade de enfrentar desafios.
Também é importante refletir sobre os fatores responsáveis pela insatisfação e descontentamento, como o corpo, o trabalho, o casamento, a forma como se lida com as frustrações.
A reflexão honesta sobre a própria vida é uma forma de respeito consigo mesmo, o primeiro passo para uma vida mais feliz.