Orgulho de ser humilde não é humildade

por Ruth Bandeira

Você tem orgulho de ser humilde? Essa antítese, no mínimo curiosa, afeta muita gente que se considera humilde o suficiente para ter orgulho disso. Estranho, não? No trabalho, a falta de humildade pode ocasionar uma série de conflitos e erros. E a identificação dessa característica é o principal dos problemas.

Para deixar um pouco mais claro, procuro definir humildade como a qualidade que algumas pessoas têm de reconhecer seus erros, defeitos e limitações, além de demonstrar respeito para com os outros. É uma virtude de modéstia, cordialidade, respeito e simplicidade que só tem a acrescentar na vida das pessoas.

Exemplificando: imagine uma pessoa avarenta, arrogante, que se considera melhor do que as outras por possuir mais dinheiro, ser mais bela ou qualquer outra característica que, em sua concepção, a coloque acima das demais, dando a ela o direito de insultar ou tratar os outros com desprezo.  Ao se relacionar com outras pessoas, essa característica pode até não se mostrar tão negativa. Mas, ao levar esse comportamento para o trabalho, a arrogância pode arruinar projetos inteiros.

Essa pessoa, geralmente “cabeça fechada” (por viver em um mundo onde tudo gira ao seu redor), cedo ou tarde, acabará comprometendo não só o próprio trabalho, mas o dos colegas também. Isso envolve situações como não reconhecer que a ideia dos colegas é melhor ou pode contribuir com as suas, não aceitar que o seu trabalho precisa ser aperfeiçoado ou refeito, fazer as próprias regras, negar ordens de outros, etc. Uma sucessão de situações assim geralmente compromete a credibilidade profissional da pessoa. E, a não ser que ela tenha as “costas quentes”, cedo ou tarde estará com os dias contados na empresa.

Imaginando uma situação oposta a essa, o comportamento mais adequado se resume a uma palavra: respeito. Respeitar o outro significa reconhecer tudo isso que foi citado acima, além de reconhecer o mérito dos colegas e admitir que é possível aprender com eles. Deve-se tratar o outro como gostaria de ser tratado. Seja o superior, o colega, a copeira ou o motoboy.

Por meio da convivência com seres humanos de diferentes culturas, religiões e classes sociais, até mesmo o mais alto e importante dos diretores pode aprender. Ao ouvir e conviver de igual para igual com os mais variados tipos de pessoas, você descobrirá que há muito a ensinar e muito a aprender.

 Ruth Bandeira – Headhunter, Diretora da Regional Sul da De Bernt Entschev Human Capital.   


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