Você sabe trabalhar em equipe?

por Ruth Bandeira
O que você escolheria? Pegar um grande projeto somente para si e matutar dias e dias para entregar com a maior satisfação e dizer “fui eu quem fiz!” ou pegá-lo, reunir-se com a equipe, dividi-lo e depois dividir os méritos com todos que colaboraram? Levar o mérito por algo difícil de ser feito pode ser prazeroso, mas nada tem um efeito melhor que ganhar o respeito e reconhecimento de colegas e superiores. É um dos pontos iniciais que separam o individualista da pessoa que sabe trabalhar em grupo.

Algo que percebi ao longo desses anos foi que o individualista geralmente progride menos e mais lentamente na carreira em relação àquele que tem relacionamentos ativos e saudáveis com toda a equipe. As causas de um comportamento desses pode variar bastante e vir desde a timidez, que dificulta o relacionamento em geral, a egoísmo, ambição, competitividade, etc.

Pessoas com esse temperamento são difíceis de lidar. Entre os principais motivos estão a dificuldade em aceitarem se subordinar a alguém ou cumprir ordem delas, e segundo, dificuldade em dividir tarefas e responsabilidades. Preferem definir as próprias atividades e limites a serem instruídos de como tudo deve ser feito.

O individualismo também atrapalha os relacionamentos pessoais. A possessividade e egoísmo ajudam a construir inimizades por todo lugar que passa. Para eles, quanto mais sozinhos ficar, melhor. Sobra mais trabalho e, consequentemente, mais reconhecimento. É inegável que há exceções e alguns desses são verdadeiros gênios – pessoas inteligentíssimas, mas que têm uma dificuldade enorme em se relacionar e expressar. 

A empresa, por si só, já é um ambiente que abriga pessoas de personalidades muito diferentes. Por esse motivo, limites são estipulados para que todos fiquem dentro de um escopo de comportamento de maneira que os outros não sejam incomodados e que impere o bom relacionamento. Isso é nada mais, nada menos que uma política de boa vizinhança com o intuito de garantir a paz e o bom clima organizacional. Fato constatado é que quando algo diferente começa a aparecer e acontecer com as pessoas, é sinal de que há um elemento estragando o clima, somente pela sua presença ou jeito de ser.

Dentro da característica de saber trabalhar em equipe está também o fator “lidar e evitar conflitos”. Em uma empresa, vez ou outra, todos são expostos a situações com as quais não concordamos, e é de grande valia um profissional que saiba se defender com educação e sem ser arrogante. O mesmo não ocorre com o individualista, que tem suas opiniões muito bem formadas e ignora toda e qualquer opinião que confronte a dele – que , por sinal, sempre pensa ser a única correta.

Trabalhar em equipe é uma habilidade admirada por todos, de subalternos, colegas a superiores. Além de ser uma característica extremamente política, demonstra flexibilidade profissional. Quem sabe valorizar o grupo sempre ouve as opiniões dos colegas, as considerações levantadas, admite que o colega teve as melhores ideias e, importante ato de humildade e compostura, divide os méritos entre toda a equipe. Uma pessoa assim, aos poucos, torna-se o centro de confiança do grupo, aquele que une todos e, aos poucos, passa a exercer grande influência perante o grupo. Muitos acabam sendo eleitos líderes naturais, tamanho artifício e facilidade que têm em lidar com os demais e em saber o lugar de cada um, inclusive o próprio, sem supervalorizar ou subvalorizar ninguém.

Ao longo do tempo, pude perceber que pessoas individualistas só perdiam a moral e credibilidade diante dos colegas. Aos poucos, ninguém mais pedia opiniões, não era convidado a todas as reuniões, era colocado em segundo plano nas conversas (até mesmo os bate papos informais), e menos projetos eram passados, de maneira que ficasse justamente da maneira que ele gosta de ser: isolado em seu mundo de verdades autocêntricas.
   
 
Ruth Bandeira – Headhunter, Diretora da Regional Sul da De Bernt Entschev Human Capital.  


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